terça-feira, 28 de setembro de 2004

SerMar: sobre Que Farei Quando Tudo Arde?


Com este livro de Lobo Antunes somos levados mais uma vez a viajar pelo mundo das nossas angústias que tantas vezes julgamos serem só nossas. Como ele próprio já afirmou, ler um livro seu é como ter uma doença. De facto vivermos vários dias com personagens que vivem o drama de terem que colar ao que a norma considera normal ao mesmo tempo que vivem a sua homossexualidade que praticam o adultério ou que se refugiam na droga é termos também nós leitores que viajar pelo nosso mundo interior, por aquilo que a coacção social estipulou ser pecado e que afinal por uma questão inerente à nossa condição de animal humano todos temos que viver de forma mais ou menos escondida.

A escrita de António Lobo Antunes é também neste livro a reprodução dos pensamentos, das vivências de várias personagens que se deslocam entre o centro de Lisboa e a chamada outra banda. O homem que evita a sua homossexualidade casando-se mas que acaba por ser vencido pela sua natureza, levando a mulher a procurar momentos de carinho e alguns trocos em relações com o comerciante mais perto de casa e o filho que vê o que os progenitores gastam o tempo a tentar esconder e para quem não foi suficiente a atenção dada pelo casal que tentou transferir para si o amor que não pode dar à filha morta. A droga será o refúgio deste filho daquilo que a sociedade consignou ser pecado.

Um tema muito actual. Uma escrita magnifica que para além do prazer que dá hoje aos seus leitores, será um documento para a história que se fará dos nossos dias.


SerMar
citado de Livra.pt
15.08.2002

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