quinta-feira, 6 de abril de 2006

Da leitora Augusta: «este poema é para si»

Este poema é para si.

Passam noites passam dias
E essas estrelas que vias
Ontem pela noite no jardim
Se elas pudessem chorar
Faziam prantos por mim

Minha alma é vagabunda
E não a posso encontrar
Estou tão só neste mundo
Que só o quero deixar

Amargo é o sabor que sinto
No trago da minha vida
Vão-se os dias vão-se as noites
E não encontro a saída

Debrucei-me no rio
Para ver além do fundo
Vi as nuvens passar
E vi-me em outro mundo


Vi-me livre a vaguear
No mundo do esquecimento
De novo voltei a olhar
E tudo me foi diferente

Levantei meu copo para a lua
E a lua não quis aceitar
Era uma bola de fogo
Que estava a queimar

E fui-me embora a chorar
Sozinha desamparada
Como cega fui andando
Para poder te encontrar

E tu não estavas lá
Já tinhas ido embora
Ouvi no fundo um murmúrio
D’alguém só, d’alguém que
Chora...

Uma entre tantas leitoras que o admiram, mas talvez com uma diferença: às vezes gostava de estar aí sentada, muito quietinha ao seu lado só para o ouvir pensar.

Augusta
e-mail de 06.04.2006

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