quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Da leitora Conceição Ramos-Lopes: «Apetece-me chamar-te Estrangeiro»

Apetece-me chamar-te Estrangeiro
mas não te sigo
é madrugada agora
e diluo-me de te não ter
Das janelas dos teus olhos
nasceu uma vela branca
e a tua língua
escorreu uma gaivota
Os teus braços
desfraldaram mares de espuma
e um medo azul
ancorou-me a este cais
onde acenas sem partir

Amanheceu e eu já não sou
 
A António Lobo Antunes

Conceição Ramos-Lopes
e-mail de 30.08.2006

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