sábado, 1 de setembro de 2012

Do leitor José Alexandre Ramos: «muralha»

muralha
para António Lobo Antunes
Deixo o dia abater-se contra o muro: mil pedaços se formam no horizonte futuro, antevendo amanhãs desmoronados. E dos escombros se abrirá caminho, lentamente, até onde o chão poderá verdejar, e as feridas dos meus pés fecharão. Sílaba a sílaba és tu quem constrói o novo caminho e por vezes fico sem palavras perante o alinhamento perfeito do destino das tuas frases. É no teu trabalho sobre a pedra que as palavras te exigem, sob o cansaço dos dias te espremendo em hesitações, alegrias e angústias, que reergues a muralha onde nos pouparemos abrigados dos ataques verborreicos dessas gentes em falsos pedestais teimando
(como se qualquer um fosse capaz de construir um muro, uma casa, rasgar ruas e avenidas, alargar aldeias e cidades)
teimando em afirmar que escrevem livros.


Parabéns, António. Um abraço.


por José Alexandre Ramos
Vila Nova de Gaia

2 comentários:

ZéPortugal disse...

Alexandre:

Que maravilhosa epopeia ao "nosso" emérito Escritor.

Faço da sua "muralha" aquela que gostaria de transpor para chegar até VÓS!
Que belo discípulo tem o António Lobo Antunes.

Parabéns a si também, neste dia de Luz para o ANTÓNIO.

M.José Portugal

TERESA SANTOS disse...

António,
(sim, com esta sem cerimónia!)

Um grande abraço de Parabéns, posso?

E dizer uma vez mais, OBRIGADA, posso?

E digo com todo o prazer do mundo.
E quero mais livros.
E mais, e mais.

Abraço